No fim de 2009, o Kashiwa Reysol terminava em 16º lugar no Campeonato Japonês e era rebaixado. Dois anos depois, está entre os participantes do Mundial de Clubes - uma situação que nem mesmo o torcedor mais otimista poderia imaginar. Após conquistar o inédito título nacional apenas na última rodada, a equipe comandada pelo brasileiro Nelsinho Batista tem como objetivo enfrentar o Santos na semifinal e, quem sabe, surpreender.
Para chegar até o confronto com o Peixe, clube que comandou em 2005, Nelsinho e o Kashiwa terão primeiro de passar pelo Auckland City, da Nova Zelândia, no playoff de quinta-feira, às 8h45m (de Brasília). Em seguida, o rival seria o Monterrey, domingo, também em Toyota, às 8h30m (de Brasília). A semifinal contra o Santos aconteceria no dia 14, na mesma cidade, às 8h30m (de Brasília). Mas o caminho não parece complicado para um time que só conhece triunfos nas últimas temporadas.
- Faz dois anos que conseguimos colocar um ambiente de vitória na equipe, sempre pensando no próximo adversário. Temos de pensar nesse primeiro jogo, para poder depois pensar no Monterey, e aí no Santos. É lógico que sabemos que Barça e Santos são os favoritos. Estamos encarando o torneio como uma experiência fantástica para nossos jogadores. Pela qualidade desenvolvida durante o ano, temos condições de ir passando os adversários - afirmou Nelsinho
Título com um ponto de diferença
A presença do Kashiwa no Mundial é ainda mais valorizada pelo elenco por conta da decisão do título japonês: a diferença entre o campeão e o Nagoya Grampus, segundo colocado, foi de apenas um ponto. E o Gamba Osaka, terceiro, ficou dois atrás do time comandado por Nelsinho. O título foi garantido com uma vitória de 3 a 1 sobre o Urawa Reds, fora de casa.
E a vaga para a competição da Fifa não estava prevista: o campeão nacional ficou como representante do país anfitrião no Mundial porque não havia japoneses na decisão da Liga dos Campeões da Ásia - caso um time da Terra do Sol Nascente fosse campeão do torneio continental, a vaga ficaria com o vice. Sem dúvida, um prêmio para um clube que teve uma ascensão meteórica:
- Tínhamos um grupo de qualidade, mas que não estava sendo trabalhado. A partir do momento que desenvolvemos o trabalho e eles passaram a acreditar nele, os resultados vieram. Fizemos um 2010 excelente. Em 2011 mantivemos o grupo e contratamos jogadores de qualidade, ficamos mais fortes. Seria aventureiro da minha parte subir de divisão e dizer que seria campeão. Foi um sonho atrás do qual corremos - destacou o treinador brasileiro, cuja previsão inicial na J-League era ficar entre os seis primeiros.
Toque brasileiro no meio-campo é arma
Para alçar voos mais altos na disputa de seu primeiro Mundial, o Kashiwa aposta em dois brasucas: os meias Leandro Domingues, ex-Vitória e Cruzeiro, e Jorge Wagner, com passagem por Internacional, São Paulo e Lokomotiv Moscou, da Rússia. Para Nelsinho, ambos são "referência" no time e se revezam nas cobranças de falta, escanteios e pênaltis.
Campeão da Libertadores em 2006 pelo Colorado - foi para o Bétis, da Espanha, antes de os gaúchos serem campeões no Japão em cima do Barcelona - e o bi do Brasileiro pelo São Paulo em 2006 e 2007, Jorge Wagner acha que a inexperiência do elenco não vai atrapalhar.
- Em toda competição sempre aparece uma surpresa. Sabemos que estamos entrando numa competição de alto nível, com grandes times, esperamos realizar um bom campeonato. Será difícil, mas temos totais condições de chegar - comentou o brasuca, que chegou ao clube este ano.
Se a história de um é mais recente, o outro está mais que identificado com o Kashiwa: Leandro Domingues, de 28 anos, foi eleito o melhor jogador da competição na vitoriosa campanha de 2010, e repetiu o feito este ano. Seu contrato está renovado renovado até 2014 e o atleta foi escolhido para a capa da última edição da revista "Weekly Soccer Digest", que também o elegeu craque da competição e publicou uma entrevista de cinco páginas com ele.
Para o brasileiro, o Kashiwa tem todas as condições de ser o "Mazembe" de 2011 - o time africano eliminou o Internacional por 2 a 0 e se tornou o primeiro “intruso” na final do Mundial, até então sempre disputada entre sul-americanos e europeus. Na decisão, o Inter de Milão não teve dó da zebra: 3 a 0.
- Podemos ser o Mazembe Japonês. Quem sabe? Nossa ambição é chegar na semifinal contra o Santos. Sabemos que é difícil, mas nada é impossível. Sempre passa pela nossa cabeça enfrentar o Santos, o Barcelona... Mas temos que ir pensando jogo a jogo, pois é difícil – disse.
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Além dos brasileiros, outro jogador a se prestar atenção é no lateral-direito Sakai, de apenas 21 anos. Versátil por atuar dos dois lados e rápido, ele desperta interesse justamente do Santos. Durante uma viagem de representantes do Peixe ao país, o jogador impressionou e pode ser levado. É apenas mais um fruto do bom desempenho da equipe nos últimos anos - e que espera ser coroada com uma boa campanha no Mundial de Clubes.
Escalação provável: Sugeno; Sakai, Masushima, Kondo e Hashimoto; Barada, Otani, Jorge Wagner e Leandro Domingues; J. Tanaka e Kudo
Reservas: Kirihata, Inada, Nakajima, Dong-Hyuk Park, Sawa, Yamanaka, Mizuno, Kurisawa, An-Yong Hak, Hyodo, Hayashi e Kitajima
Olho neles
Nome: Leandro Domingues
Idade: 28 anos
Local de nascimento: Vitória da Conquista (BA), Brasil
Altura: 1,73m Peso:70 kg
Posição: Meia-atacante
Eleito melhor jogador do Campeonato Japonês de 2011 e da Segundona em 2010, o ex-jogador de Vitória e Cruzeiro divide a função de cobrar faltas, escanteios e pênaltis com o também brasuca Jorge Wagner, além de ser referência na criação de jogadas.
Nome: Hiroki Sakai
Idade: 21 anos
Local de nascimento: Chiba, Japão
Altura: 1,83m Peso: 70 kg
Posição: Lateral-direito
O jovem lateral-direito é versátil e impressionou os dirigentes do Santos em uma viagem ao Japão antes do Mundial, podendo até ser contratado pela equipe brasileira após a competição. Divide o setor da equipe com Leandro Domingues.
Um ano após ganhar a Segundona, Kashiwa leva J-League e está no Mundial. Sonho é chegar à semi (AFP)
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